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UM BALANÇO DE FINAL DE ANO E UMA HOMENAGEM A CHOUKAI-GO DE YAMADA

 


Mais um ano se foi e mais um punhado de vivências cinófilas se somaram às nossas vidas. Experiências boas, outras nem tanto, bons encontros, outros tantos desencontros...

Em termos de criação estamos indo bem, trilhando esse processo que nos traz tantas alegrias e, ao mesmo tempo, nos enfrenta com algumas tristezas e certas dificuldades.

    Da mesma forma que nosso trabalho está sendo reconhecido nas pistas, vimos nos preparando lentamente para podermos oferecer e sermos reconhecidos por uma criação que atenda o mesmo nível de qualidade. Todos nós sabemos que comprar cachorro bom é infinitamente mais fácil do que criar. E mais, criar não é ter a "sorte" de fazer meia dúzia de bons cães. A genética nos prega inúmeras surpresas e por mais que a gente se debruce em cima dos pedigrees, estaríamos com esse gesto apenas tratando de evitar que ocorram algumas más formações ou a repetição de características que nos desagradam, além de tentar repetir determinadas qualidades... Bem, isso já seria bastante... Mas quando falo em criar bem, me refiro a ter uma linha de sangue que ofereça um determinado padrão, como a marca da continuidade de um trabalho. Não se trata de uma tarefa fácil e muito menos rápida, tendo em vista principalmente a história de nossa raça. Mas essa é a nossa meta e esperamos um dia chegar lá.

    Não partilho do ponto de vista que o importante é apenas a criação, ou que a nobreza da coisa está aí, até porque parto do pressuposto que para podermos criar bem uma raça como a nossa, que ainda não definiu totalmente suas peculiaridades, é fundamental que a raça possa ser mostrada, para ser mais conhecida através de exemplares que atendam a uma tipicidade atual.

    No entanto, nossa participação na cinofilia "das pistas" balançou e passou a ser mediada por outros valores e por outras metas, diferente do que vinha ocorrendo até então. Muitas dúvidas andam circulando e algumas certezas insistem e põem em cheque a validade de participar.

    Sinto-me cômoda fazendo críticas e comentários a esse respeito, porque os faço desde um lugar de vencedora. Meu Akita, Choukai-Go de Yamada, é o n*1 da raça do Brasil/2001, assim como foi outro Akita de nossa propriedade, Wayakusuru-Go No Shatsuko (pai de Choukai-Go), quem ocupou a mesma colocação nos 2 anos anteriores. Então, esta é uma boa hora de falar. Todos poderão ter certeza que não falo "por despeito".

    Penso que ainda se pode ter a certeza que quando se tem um exemplar que se destaca entre aqueles que são muito bons também, ao longo do ano certamente ele terá as vitórias que vão lhe assegurar o lugar merecido. É como dizia aquele amigo se teu cachorro ganhar uma vez, é casualidade; se ganhar a segunda, começa a desconfiar que ele pode ser bom; mas se ele continuar vencendo, então podes ter a certeza que ele é muito bom. Para ele, na cinofilia o que vale é o processo visto em continuidade, e não cada pista avaliada isoladamente. Concordo com esse ponto de vista, desde que essas oscilações nas vitórias de um cão tenham relação com o gosto pessoal dos juízes que o julgam - afinal, se os gostos fossem iguais não haveria razão para as exposições se sucederem ao longo do ano. Mas infelizmente não é só isso que conta. E é contra este fato que estou me posicionando: existe muita politicagem e muito jogo de influências permeando os resultados das exposições, o que é um desrespeito para com os cães que tanta alegria nos dão dentro e fora das pistas, e para com o investimento afetivo e econômico que é feito pelos proprietários dos mesmos. No meu ponto de vista, não se justifica que amigos sejam beneficiados, que favores sejam trocados, que richas pessoais sejam saldadas, que proprietários influentes sejam beneficiados... e no final quem é que paga a conta? É ele, é o cão! Para o proprietário fica a sensação de ter sido roubado ou ter sido feito de bôbo, para o adversário o gozo de ter vencido um concorrente, mas e para o cão? Para ele não fica nada, até porque ele não toma conhecimento dessas pequenezas, mas ele é quem faz o show e ele merece ser respeitado, assim como raça que ele representa!

    Será que devemos nos contentar, dizendo que a cinofilia é assim e pronto?!?

    Mas, historizando um pouco a trajetória do nosso Canil e ensaiando uma homenagem a Choukai-Go...

    Vínhamos de 2 anos muito intensos. Tínhamos em nosso canil um akita chamado SURU. Veio da Itália com 13 meses e foi, quem sabe, o akita que obteve resultados mais impressionantes na história da raça no Brasil, numa campanha de 26 meses. A estrela de SURU e suas excepcionais qualidades lhe conferiram uma trajetória especial. Além de ser um belo akita, era um belíssimo animal que, além de tudo, gostava muito de estar em pista. Junto com seu companheiro Walter Schreiber, Suru venceu todos os títulos, se destacou não apenas na raça, mas também entre todas as raças, sendo inclusive o 4* cão do RGS e 3* cão da Região Sul em 2000.

    Embora o gosto pela vitória fosse um forte apelo para continuarmos com ele em pista, era hora de parar, de deixar espaço para outros exemplares se destacarem. Suru encerrou sua carreira tendo sido por 2 anos consecutivos o Akita n*1 dos rankings brasileiros, com 8 Best in Show em Exp. Gerais (BIS), 9 Best in Show Especializado (BISS), mais de 60 colocações em Finais de Exposição em pouco mais de 2 anos de campanha. Para um cão da raça Akita, nestes nossos tempos, foi bastante...

    O ano cinófilo de 2001 começou e pouco depois um nome começou a despontar: Choukai-Go de Yamada, filho de Suru. Suas primeiras vitórias foram festejadas (!!!). Depois, começaram as costumeiras críticas. O mérito, diziam, não era de Choukai-Go. As vitórias se deviam ao fato dele ser branco... "branco impressiona juiz", comentavam. Interessante é que até então a crença (inúmeras vezes verbalizada) era de que os brancos não venciam porque os juízes não gostavam dos brancos(!!!) Esses "ditos", que tentam acabar com o cão e que "transformam" os juízes em imbecis, na verdade, são filhos da ciumeira, como todos sabemos. Está bem que alguns juízes pouco entendem de algumas raças, entre elas a nossa, mas generalizar é um argumento muito fraco, não é mesmo?

    Depois, o argumento girou em torno da "ponta de guia". É, isso mesmo! Comentavam que Choukai-Go só vencia porque o handler do Yamada era Walter Schreiber, que além de muito conhecido, "conversava" os juízes, assoprando que o cachorro era "Yamada". Outra vez Choukai era reduzido a pouco mais que nada, o nosso handler era desonesto, e nós, em conseqüência, também, e os juízes, outra vez, seriam desleais e ignorantes.

    Estou falando o que todos sabem, mas não importa. É bom que alguém às vezes comente outra vez esse fato, corriqueiro na cinofilia, na tentativa que esse "escape" seja modificado.

    Na verdade, Choukai-Go de Yamada venceu porque foi o melhor em pista e porque é um belo exemplar da raça Akita. E por isso foi o n*1 do ranking brasileiro de 2001, ocupando o lugar que nos 2 anos anteriores foi de Suru, seu pai. Choukai-Go tem inúmeras qualidades que herdou do pai e de sua mãe (Fuji). Foi muito bem condicionado durante o ano todo, exibindo-se em excelentes condições de peso e de pêlo. Foi muito bem apresentado por Walter Schreiber, um handler que possui o dom para exercer essa função, explorando sempre do cão o melhor que o mesmo tem. Choukai-Go também foi apresentado por outros profissionais ao longo deste ano. No Best in Show que fez em Tubarão, com Ana Beatriz Knoll, e na Reserva de Best in Show que Joni Petrovich lhe deu, estava sendo apresentado por Pablo Ribeiro. "Ponta de guia"?????????? Excelente handler, mas ainda muito jovem para ser assim considerado. Obrigada Pablo!!!
Um cão não se consagra o Akita n*1 do Brasil, do RS e de Sta. Catarina à toa! Vitórias ocasionais existem muitas, mas a expressiva pontuação por ele obtida não é fruto do acaso. Suas qualidades foram comprovadas ao longo de 2001. Vejamos:

- 35 vezes Choukai-Go foi considerado como o Melhor da Raça nas pistas do RS, Sta. Catarina e Paraná;
- 7 vezes Choukai-Go esteve presente em Finais de Exposição Geral;
- Foi o vencedor de duas Exp. Especializadas, julgadas pelo juiz argentino Arnaldo Arabehety, e pelo juiz peruano Ermano Maniero, ambas exposições realizadas em POA, em outubro e dezembro deste ano;
- Na final do Festival de Especializadas de dezembro ficou com o 4* lugar do Best in Show dos Best in Shows, julgado pelo juiz argentino Enrique Filipini;
- Foi o vencedor do ranking brasileiro da raça (CBKC), assim como do ranking do RGS e de Sta. Catarina;
- Foi o vencedor do V Grupo em Sta. Catarina e Reserva de grupo no RGS;
- No RGS, seu estado de origem, venceu 18 raças das 32 que disputou, sendo seguido por sua irmã Choumei-Ji, que venceu 6 raças. Os demais concorrentes não passaram de 3 ou 4 raças.

    As vitórias de Choukai-Go tornaram-se mais valorizadas em função dos concorrentes que com ele estiveram mais frequentemente em pista. Sem o intuito de desmerecer a presença de outros exemplares, vale ressaltar que disputaram com ele o Melhor de Raça sua irmã Choumei-Ji, pela 3* vez a Melhor Fêmea do Brasil e do RS, presença imponente que não só fez bonito nas pistas brasileiras, como na Mundial da Itália, em 2000; Yumi, do Canil Alzoor, que vem colecionando uma série importante de vitórias desde que foi apresentada nas pistas gaúchas; Tayio e Kazan, os dois irmãos do Canil Tibiquary, reconhecidos como dois muito bons exemplares da raça.

    E ainda, como muitos gostam de enfatizar, Choukai-Go é "criação nacional", assim como sua irmã Choumei-Ji. Num país em que a importação de exemplares da raça é bastante expressiva (inclusive pelo nosso próprio Canil), esta dupla vitória é, sem dúvida, um fato bastante importante, mérito de nosso Canil, dos nossos cães (sejam importados ou criação Yamada) e, particularmente, das pessoas que conosco trabalham: Volmir Scheppke, Walter Schreiber, Paulo César Santos, Cristiane..., e toda a Equipe do Dog Wood Kennel.

     Um brinde a Choukai-Go de Yamada! Mas também aos que vieram antes dele e aos que virão depois para mostrar a beleza da raça Akita...


Kenia Ballvé Behr
CANIL YAMADA

31 de dezembro de 2001

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