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Há alguns anos os exemplares de chows pêlo curto quase foram extintos devido ao desinteresse de criadores pela variedade. Desde a década de 70 há um trabalho em pról do desenvolvimento da variedade. Um dos aspectos interessantes sobre as duas variedades de chows foi a determinação do funcionamento genético que controla a variedade do pêlo. Por se tratar de apena um par de genes, a compreensão de seu funcionamento é mais simples, ao contrário do que ocorre com as cores, onde vários pares de genes são atuantes. Lembrando que dentro das duas variedades ocorrem exemplares com pêlos diferentes, mais longos, curtos, densos ou ralos. Mas este aspecto é trabalho por outros genes. A diferença de textura entre as variedades também as caracteriza. Algumas outras raças também apresentam o mesmo gene, entretanto o padrão pode não aceitar uma delas, assim como o Akita, onde o pêlo curto é admitido e o pêlo longo não. Vamos determinar a seguinte nomenclatura para o gene do pêlo longo, chamando-o de L e o do pêlo curto de C. Sabemos que o gene C é dominante, ou seja, se ele aparecer no genótipo (mapa genético) indicará que o cão é um pêlo Curto, mesmo que o outro gene seja L. Um pêlo longo sempre terá o seguinte genoma LL e um casal de pêlos longos nunca terá filhotes pêlo curto. Enfim, vamos trabalhar algumas possibilidades.
Pêlo Curto: LC ou CC Pêlo Longo: LL
Algumas considerações:
1) Se nascer um pêlo longo de um acasalamento entre 2 pêlos curtos, então o genótipo dos progenitores é LC. Além disso, a tendência é que 25% da ninhada seja pêlo longo, 50% seja pêlo curto, mas carregue o gene longo e 25% seja puramente pêlo curto (CC), ou seja, jamais terá filhotes pêlo longo. Pais: LC x LC Filhotes: LL - LC - LC - CC.
2) Se num acasalamento entre um pêlo longo e um pêlo curto não nascer nenhum pêlo longo, então o pêlo curto não possui gene pêlo longo e toda a ninhada carregará o gene pêlo longo. Pais: LL x CC Filhotes: LC - LC - LC - LC
3) Se no mesmo acasalamento nascer filhotes pêlos longos e pêlos curtos, então o pêlo curto possui o gene do pêlo longo. A tendência, neste caso, é que metade da ninhada seja longa e a outra metade de curtos. Pais: LL x LC Filhotes: LL - LC - LL - LC
4) Dois pêlos longos só terão filhotes pêlo longos, não importando quem são os avós. Pais: LL x LL Filhotes: LL - LL - LL - LL
5) Se um pêlo curto gerar um filhote pêlo longo, então ele será LC.
6) Se o mesmo cão for acasalado com outro(a) e a ninhada for relativamente grande, para ter uma probabilidade maior para se ter certeza, e não nascer nenhum pêlo curto, então as chances deste segundo cão ser pêlo curto CC são maiores. Neste caso 50% da ninhada leva o gene L à frente. Pais: CC x LC Filhotes: CL - CC - CL - CC
As considerações levam em conta probabilidades estatísticas e, assim como as ninhadas tendem a ser 50% de macho e 50% de fêmeas, nem sempre isso ocorre, mas ao longo de vários nascimentos a tendência é a convergência para as probabilidades.
Por se tratarem de uma variedade não muito desejada no passado, extingüir o gene pêlo curto é mais fácil, e quase ocorreu, pois por ser dominante, ele somente seria passado à frente caso os criadores os utilizassem nas criações. No caso do pêlo longo, ele poderia se "esconder" dentro de criações dos pêlos curtos e aparecer com uma freqüência caso não houvesse um trabalho de mapeamento do plantel para identificar os exemplares que o carregam. Alguns criadores acreditam que o acasalamento de dois exemplares de variedades diferentes traz alterações na textura do pêlo, entretanto estas opiniões não são compartilhadas por todos os criadores e não há indicação contrária pelos principais clubes do mundo. Caso as duas criações fossem separadas, o ideal de um plantel pêlo curto seria tê-lo completamente CC, desta forma todos os filhotes seriam pêlos curtos e não nasceriam filhotes pêlo longos.
Eduardo Antunes Chow Chow Brasil
www.chow.com.br
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