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Quem tiver interesse em reproduzir o conteúdo das opiniões aqui desenvolvidas tem liberdade para tal, mas pede-se que sejam dados os créditos das palavras à autora das respostas, Kenia Ballvé Behr, proprietária do Canil Yamada, em entrevista à comunidade de Orkut PAIXÃO PELO AKITA.
Esse é o desejo dos envolvidos nesse projeto que poderá ter continuidade.
Entrevista à Comunidade PAIXÃO PELO AKITA sobre a raça Akita Inu concedida pela proprietária do Canil Yamada, Kenia Ballvé Behr:
Em primeiro lugar, quero agradecer as perguntas que me foram feitas por todos vocês, e à iniciativa da Viviane, que sempre é bem vinda para que a gente possa discutir temas relacionados com a raça que criamos.
Respondi de acordo com aquilo que venho aprendendo nestes anos em que crio akitas. Mas não tenho dúvidas que como a gente está sempre aprendendo, seria muito interessante que se pudesse estabelecer um bate-papo sobre esses temas (e outros, evidentemente) entre todos aqueles que tivessem interesse em trocar experiências e informações. Da mesma forma, se quiserem fazer mais perguntas ou se algumas das minhas respostas não ficarem claras, estou à disposição para continuar ligada nesta conversa.
Kenia Ballvé Behr
1-Quem você elegeria como o mais perto do ideal atualmente, dentre os seus cães?
Na verdade, eu continuo atrás do meu akita ideal, mesmo tendo a certeza que assim como não existem pessoas perfeitas, também não existem cães perfeitos. Aliás, é interessante que exigimos muito mais deles do que de nós mesmos, os humanos. A maioria das vezes estamos muito pouco preocupados se temos pernas mais longas que os braços, mais quadris ou menos ombros, nariz mais comprido e olhos menores... Na verdade, tentamos sempre recursos que amenizam aquilo que gostamos menos, seja nas roupas, na maquiagem, etc...
Mais perto do ideal... Estão algumas das características de alguns de meus cães. Vago??? rs... rs... rs... Não penso citar nomes dos meus cães, por respeito à beleza nunca completa que eles têm (e porque sou muito crítica...), mas posso falar nas características que mais me amarram, e cada um de vocês que conhecem meus akitas (por foto ou pessoalmente) pode identificar aonde estão essas características.
Em 1* lugar adoro o que estiver mais próximo do padrão e dos akitas que em geral se criam no Japão hoje. Mas pensando em termos mais subjetivos, eu diria...
A cara tem que ser linda e o pêlo farto, espetado. Orelhas de tamanho médio e bem posicionadas (detesto orelhas baixas ou altas). Olhar profundo, olhos triangulares e bem posicionados (nem juntos, nem separados demais, nem enormes, nem apertadinhos, muito menos redondos). Focinho curto é fundamental. Juba e bochecha também são. O pescoço forte (nada de longo...) tem que completar aquela majestade e dignidade que o akita tem. A cauda farta não pode faltar, bem postada. A cor é fundamental. No akita de pelagem vermelha (que é minha cor preferida) gosto daquele vermelho que não está nem próximo do creme, nem do marrom, sem a passagem brusca do vermelho para o branco. Nos tigrados gosto de um pouco de branco na cara e da simetria das botas brancas. Prefiro os que têm menos vermelho em seu tigrado.
A altura média é minha predileta. Aos machos baixinhos me parece faltar dignidade, os altos sempre me parecem pouco harmônicos. As fêmeas podem ser baixinhas desde que sobre nelas feminilidade e beleza. Baixinha feia e sem graça não dá para agüentar. Fêmeas altas e poderosas, com bom desempenho em pista, me impressionam, mas fico sempre com as médias, que com o passar dos anos vão se tornando poderosas, embora mantendo a feminilidade. O temperamento é fundamental. Se tem algo que me desagrada demais é akita medroso ou agressivo. Dos agressivos quero me afastar logo e aos assustados me incomoda muito olhar a atitude medrosa deles. Tanto uma como outra característica tiram majestade e dignidade do akita e, sem dúvida, vejo neles um desvio de temperamento.
Nem muito, nem pouco osso. Me interessa mais pêlo do que pêso.
Se junto com tudo isso a estrutura do cão define ombros justos e membros paralelos que permitem uma movimentação bonita e forte, típica da raça, um dorso reto, paralelo ao solo, como tem que ser (nem selado, nem carpeado, muito menos ascendente), além de me dar a percepção de um cão quadrado e compacto... aí teríamos o cão que seria o meu ideal.
Em cada acasalamento pensado, em cada filhote que examino, que olho e olho de novo mil vezes, estou buscando o que mais se aproxime a esse ideal, sabendo, no entanto, que tudo num só é sonho impossível que, no entanto, é um sonho que eu não canso de sonhar.
2-Como analisar um filhote por foto mostrando pontos fortes e fracos?
Começa que acho difícil analisar um filhote por foto, a não ser que seja a análise de características bem específicas, relacionadas com a cabeça, olhos, orelhas, stop, inserção da cauda, proporções gerais, etc... Há alguns aspectos que seriam muito difíceis de avaliar através de uma foto, por exemplo, algumas proporções específicas, a qualidade do pêlo, movimentação, etc...
Se servir essa análise mais restrita, posso experimentar fazer. Como é que se faz? Eu coloco uma foto e analiso? E essa foto é publicada aí?
Durante muito tempo fui olhando filhotes e definindo que alguns me agradavam mais do que os outros. De tanto ver filhotes e vê-los crescer, fui identificando intuitivamente os que mais me chamavam a atenção e, só aos poucos, fui descobrindo as razões dessas minhas preferências, a maioria delas relacionada com aspectos da tipicidade em geral, com ênfase nas cabeças e nas caras. Acho que tenho um bom olho para ver filhotes, adquirido nestes anos de experiência e depois de muito olhar para eles e tirar fotos deles. Mas de um tempo para cá, decidi juntar ao bom olho, determinados conhecimentos técnicos que me faltavam e que permitem avaliar um filhote a partir de sua estrutura inicial, e não apenas por olheômetro. A partir de encontros muito interessantes com meu amigo Cesarino (criador experiente há anos de boxer, pointer, daschund, beagle... e agora akita) e a Cláudia, venho estudando e me aproximando de uma avaliação mais específica e menos intuitiva a respeito da estrutura do filhote. Mas na verdade, é um trabalho que só pode ser feito ao vivo, examinando o filhote e tocando nele, observando como ele anda, como pára, etc...
3-Gostaria de explorar um pouco a genética de cores do akita. Em minha opinião tigrados NECESSARIAMENTE têm que ter um dos pais TIGRADOS. Nas raças que criei sempre foi assim, será que no akita é diferente? Vamos pensar e pesquisar um pouco este assunto?
Não tinha conhecimento que em outras raças o que vale é essa regra. Na raça akita isso não é regra, tanto é que a ninhada nascida na casa de Viviane Bonna, neste fevereiro, justamente o pai é vermelho e a mãe é branca. Nasceram 4 tigrados e 1 vermelho. O que ocorre é que a avó materna é tigrada, a bisavó materna é branca e a tataravó era tigrada (e filha de branca). Já a linhagem do pai da ninhada é toda vermelha.
Na verdade, não tenho com os tigrados a mesma experiência que tenho com os vermelhos. Nas poucas ninhadas de tigrados que nasceram aqui em casa, sempre acasalei tigrada com vermelho e como resultado tive ninhadas com filhotes das 3 cores: tigrados, vermelhos e brancos.
Acho interessante essa discussão e proponho chamar o Maurício Pioli (PR), José Murad (Campinas), Nelson Crepaldi (SP), Arnaldo Garcez (BH) e Leandro Martins (SP), todos com mais experiência que eu com os tigrados, para nos falarem de suas experiências com os mesmos
4-Por que vermelhos devem cruzar com vermelhos e tigrados com tigrados?
Mas... E tem que ser assim? Há quem cruze somente vermelhos com vermelhos porque sua meta é ter cães vermelhos. A exceção a isso eu diria que, quando o vermelho de nossa criação anda meio desbotado, vale o cruzamento com um tigrado, para intensificar a cor. O mesmo eu diria em relação aos tigrados. Se tenho tigrados e me interessa manter aquele tipo de cor tigrada, só incluo o acasalamento com akitas de outras cores em caso que queira trazer para aquela linha de sangue alguma característica que só estou encontrando em um akita com outra cor de pelagem. Quando o interesse é buscar outra cor tigrada (seja mais prata, mais vermelha ou preta), diferente daquela encontrada em minha criação, busco o acasalamento com cães brancos ou vermelhos para tentar atingir esse objetivo.
5-Vocês já pensaram que um akita dito "branco" pode não ser "branco"? Por exemplo, ele pode ter em algum lugar indícios de ser vermelho ou tigrado, uma marcação, por menor que seja o definirá realmente. O branco é cor ou mancha? E o vermelho e tigrado? É por aí que gostaria de abordar a genética de cores. Na raça boxer temos: dourado ( que pode ser comparado ao vermelho), o tigrado e o branco. Dourado com dourado pode nascer tigrado? Resp: Nunca. Dourado com branco pode nascer tigrado? Resp: Sim, depende. Branco com branco pode nascer que cores? Resp: todas ,dependendo do definição exata dos ditos "brancos". Branco é cor ou é base de todas as cores?
Cesarino! Não tenho tantos conhecimentos como tu neste sentido. Por isso, te pediria que expusesses teu ponto de vista e, a partir deles, podríamos discutir aspectos que são específicos da genética da raça akita.
6-Após todos esses anos criando Akitas, o que você achou de mais relevante que gostaria de destacar?
Esta é uma pergunta bastante ampla, e certamente posso falar aqui de muitos aspectos relevantes. Opto por abordar a questão da criação.
Em primeiro lugar, gostaria de dizer que o trabalho de criação é muito bonito e instigante, embora seja uma tarefa muito árdua, que depende de muito trabalho, muito esforço, estudo e persistência. Além disso, é um trabalho que junto com as alegrias que nos dá, nos faz sentir também muitas angústias e tristezas.
Conseguir filhotes bonitos pode não ser tão complicado, porque muitas vezes o fator sorte fica do nosso lado. Na minha 3* ninhada nasceram 2 exemplares (entre 5 filhotes) que, anos depois, foram os melhores do ranking brasileiro de 2001 e 2002, sendo que a fêmea foi a cadela akita que mais vitórias teve na história da raça no Brasil. Embora eu tenha acasalado um macho e uma fêmea muito bonitos e competitivos, evidentemente que o fator sorte esteve do meu lado, já que beleza e competitividade é pouco para garantir uma bela ninhada.
O que dá trabalho é levar adiante uma criação, tentando fixar um tipo, buscar nos acasalamentos o que consideramos que deva ser melhorado na nossa criação, tentando manter o que está bom e, especificamente na raça akita, ir em busca da excelência da cabeça e da cara do akita, de sua expressão típica (que no meu ponto de vista é fundamental) e, ao mesmo tempo dar muita atenção a tudo o demais que faz a tipicidade e estrutura da raça, principalmente no que diz respeito ao tema tão debatido que tem relação com os posteriores e sua movimentação, mas sem esquecer a inserção da cauda e das orelhas, o dorso, a abertura de peito, etc...
Embora hoje a raça akita esteja sendo muito mais discutida, e portanto mais conhecida por muitos, considero que relativamente são poucos aqueles que estão realmente empenhados num trabalho mais sério com a raça. Lendo o último Informativo da CBKC fiquei espantada com o número de akitas que são registrados por ano no Brasil! Se vê belos akitas nas exposições, às vezes na rua também, mas estes são uma % muito baixa se considerarmos os que existem neste Brasil a fora, e entre estes tenho visto akitas que apresentam algumas características que não correspondem ao que se espera. Ainda se vê claramente a marca e a influência do akita americano em suas caras, no formato dos olhos, no tamanho e inserção de suas orelhas, na pelagem escassa, em alguns aspectos de sua estrutura. Aliás, para que não haja mal entendidos... adoro os akitas americanos, considero que são uma belíssima raça, no entanto completamente diferentes dos akitas (japoneses)... Portanto nada mais inadequado que os akitas ainda carreguem características que são de outra raça.
Hoje existe no Brasil um plantel de akitas muito moderno que poderia estar sendo mais usado pelos criadores em geral. Por que isso não acontece? Um tempo atrás li num site que seria ótimo se um grupo de criadores se unisse para importar um akita... Fiquei pensando na razão dessa idéia, na medida em que existem excelentes exemplares no Brasil e que certamente essas pessoas certamente não desconhecem a existência desses akitas... P or que não buscam esse recurso?
Sei que nem todos estão interessados em criação. E eu não faço parte daqueles que acham que a tarefa nobre é somente a criação! Muitos querem um cão simplesmente para ter um companheiro ou um guarda e isso é mais do que suficiente, sendo tão nobre como criar ou expor. É importante respeitar as diferenças e as preferências. Então... O que eu dizia antes está mais dirigido àqueles que querem criar.
E nesse sentido sigo mais um pouquinho... Quem sabe para pensar em dois aspectos básicos da criação.
- Como escolher nosso 1* akita pensando numa criação?
A gente sempre começa com um exemplar que não é nosso, que a gente ganha ou compra. É preciso saber que por mais que se escolha e se estude o pedigree, não necessariamente é um tiro certeiro! Se a gente estuda a genética daquele cão e se conhece seus ascendentes (ao vivo ou por fotos), se tem notícias sobre a saúde daquela linha de sangue, e se tem a oportunidade de ver o cão antes e escolher também pelo tipo, as chances de acerto são maiores, mas não está nada garantido. Se nosso 1* exemplar for um filhote fica mais difícil ainda porque tem todo um tempo de desenvolvimento que pode oferecer surpresas. No entanto, em geral o filhote é menos caro que o cão adulto. Então está aí nossa 1* escolha: gastar mais e ter mais garantias ou ter menos gastos e poder ter surpresas negativas depois? E em qualquer das hipóteses estar preparado para a possibilidade de ter que abrir mão daquele exemplar para a criação, se ele nos traz o que não queremos, e ir em busca de outra aquisição. Esse tema abre outro... Como criarmos sem aumentar o número de cães de nosso canil e sem abandonarmos nossos velhos ou aqueles que julgamos não bons para a criação???
Outro aspecto seria referente ao sexo. Muitos criadores afirmam enfaticamente que um bom canil está sustentado por boa (s) fêmea (s). Nunca entendi essa posição, que me parece radical. Minha tendência, por exemplo, é centralizar minha criação no macho, na semente, como diriam os japoneses que conheço. A vantagem de ter fêmea é se (e quando) o criador não tem espaço para ter muitos cães e pode utilizar machos de outros criadores com suas fêmeas. No caso de ter um macho, necessariamente tem que adquirir uma ou duas fêmeas para iniciar o trabalho de criação. Mas se não há problema de espaço, é indiferente quem sustenta a criação, se macho ou fêmea.
- Quais condições temos que ter para ter nossa ninhada?
Mesmo com todas as alegrias que os filhotinhos nos trazem, uma ninhada é trabalhosa, tem gastos e exige condições de meio ambiente adequadas. O espaço utilizado como maternidade exige higiene excelente e temperatura ideal (principalmente para quem vive no Sul, enfrentando temperaturas mais baixas), e o melhor é que a fêmea faça o parto numa caixa adequada para a proteção dos filhotes. A saúde da fêmea e do macho tem que ser bem avaliada, principalmente quando um dos dois não pertence ao mesmo criador. A maioria das vezes a fêmea faz o trabalho do parto sozinha, mas a assistência, mesmo que à distância, pode evitar a morte de alguns filhotinhos. Há toda uma complementação vitamínica que ajuda a fêmea a cuidar melhor de seus filhotes, assim como é fundamental que a desverminação dela e dos seus filhos seja feita rigorosamente, além do cuidado com o tempo ideal da vacinação dos bebês. E ainda, no meu ponto de vista, os filhotes não deveriam sair de casa antes dos 60 dias e com a 1* vacina feita.
Se todos estes cuidados forem tomados, não se pode dizer que é uma tarefa leve, não é mesmo?
Fico por aqui. Já me estendi demasiadamente nesta resposta. Quem sabe, a partir daqui a gente possa seguir dialogando.
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