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  Entrevista para o site Clube do Akita - Guardião japones julho de 2006.
 


Agradecemos alegremente a entrevista concedida pela criadora e proprietária do Canil Yamada, a Sra. Kenia Ballvé Behr, com certeza uma entrevista enriquecedora para nós amantes e afixionados pela raça Akita no Brasil.

1 - CA - Kenia como foi o seu primeiro contato com a raça e como você iniciou sua criação de akitas? O que lhe despertou o desejo de criar akitas?

R.: Casual o 1* encontro. Sabe quando a gente procura uma coisa e encontra outra, que causa tanto impacto que faz a gente esquecer a 1*? Pois foi assim. Eu não andava procurando, nem sonhando em ter um cão. E me deparei com um akita, raça que eu nunca havia visto em minha vida. Era um akita macho, de uma linhagem bastante antiga, bem diferente daqueles que eu tenho hoje, mas tinha esse ar de dignidade que eles têm. Foi isso que me engatou inicialmente. Desse dia até eu ter o meu 1* akita não se passaram mais de 30 dias. O impacto inicial foi se transformando em curiosidade, em descobertas a respeito da raça, em paixão por eles. 

O desejo de criar akitas surgiu tempos depois. Primeiro, importei as minhas duas feminhas argentinas, do Canil Koji Kirei, filhas de um casal de akitas No Shatsuko (Itália), que tinha sido vendido por Richard Hellman (Itália) para um criador argentino (Koji Kirei). Além de tê-las em casa, comecei a me interessar em apresentá-las em exposições. Meu marido até hoje comenta que chamamos um handler para adestrá-las  e, quando nos demos conta, estávamos em pista. Elas tinham 4 m ., fizeram muito sucesso, e eram umas gracinhas ganhando Melhor da Raça!!!

Aos poucos comecei a sentir vontade de criar, de ter filhotinhos, não era mais do que isso... Iniciei sem ter muita noção de como fazer, qual macho escolher, quais cuidados tomar... Lá se vão 10 anos da minha 1* ninhada! Hoje me dou conta que ainda sei pouco, imagina naquela época!!!

 

2 - CA - Na sua ótica em que momento está a criação de akitas no Brasil? Como anda o nosso plantel?

R.: Evoluiu muitíssimo nestes 11 anos, mas não tanto como eu gostaria! Tenho me deparado com akitas lindos em exposições, e não só no RS, Paraná e SP. Em outros estados do Brasil também. É bem verdade que, na maioria das vezes, são de criação do Sul. Na realidade que vivemos hoje, é impossível filhotinhas de 4 meses serem Melhor da Raça, como aconteceu com minhas argentinas. Não só porque o regulamento foi modificado. É bastante difícil também um Jovem de 9, 10, 12 meses ser o melhor da raça. Há muitos adultos belos em pista! Mas, por outro lado, me impressiona o porquê do lado de fóra das exposições ainda nos depararmos com tantos akitas antigos, com orelhas enormes apontando para o céu, com olhos redondos, pouco pêlo, com evidente mescla de sangue de akita americano. Sei que são os amores de seus donos e que estes pouco se importam com exposições... mas mesmo sem chegar perto das pistas... não seria melhor se tivéssemos um plantel mais típico nas ruas, nos quintais, nas praças, na vida?

 

3 - CA - Porque em sua opinião o Sul se destaca tanto na criação de akitas, qual o segredo? Pergunto pois os maiores criadores e importadores de akitas estão sabidamente na região sul do país. Yamada, Tibiquary, Figthing Dog, etc... E é visivel a olho nú a diferença qualitativa dos cães de cada estado em relação ao sul do país.

R.: Foi nessa região que se deu o maior número de importações de akitas entre os anos de 1996 e 2006.

Dos 33 akitas importados nos últimos 11 anos, somente um deles foi para o Nordeste (Bahia). Dos outros 32, 16 ficaram no RGS, 8 no Paraná e 8 em São Paulo. Não sei se é casualidade ou não, mas como disse é no Sul onde está concentrado o maior número de importações da raça dos últimos anos. É bem verdade que o clima mais frio favorece o crescimento do pêlo o que, sem dúvida, embeleza por demais o akita. O elemento casualidade também pode estar tendo sua importância. Mas a busca por uma maior tipicidade faz a diferença, sem dúvida, e isso vem das importações, ou pelo menos nesse período dos últimos 10 anos, no meu ponto de vista isso era necessário para impulsionar a raça no Brasil. O que, sem dúvida, aconteceu...

Abaixo vocês têm a relação dos cães que vieram da Argentina, Itália, França, Japão e Espanha entre 1996 e 2006.

Em 96 - 2 fêmeas da Argentina (Yamada RS).

Em 97 - 2 machos da Argentina   (Yamada RS e White Feet SP), 1 fêmea da Itália (Fighting Dog PR) e um casal do Japão (Hillside SP e Ogata BA).

Em 98 - 2 fêmeas da Argentina (Tibiquary RS e Mizu No Jooh PR), 2 machos e 1 fêmea da Itália (Yamada RS e Fighting Dog PR) e 2 machos e 1 fêmea do Japão (Tsuruga SP).

Em 99 - 2 fêmeas, uma da Itália e uma da França (Tibiquary RS e Yamada RS).

Em 2000 - 2 machos e 2 fêmeas do Japão (Hillside SP, Fighting Dog PR e Yamada RS).

Em 2001 - 2 machos e 1 fêmea do Japão (Yamada RS, Hillside SP e Fighting Dog PR).

Em 2002 - 3 machos e 1 fêmea do Japão (Fighting Dog PR e Yamada RS).

Em 2003 - 1 macho do Japão (Yamada RS).

Em 2004 - 1 fêmea da Itália (Hillside SP).

Em 2005 - 1 fêmea da Argentina (Yamada RS).

Em 2006 - 1 macho da Espanha (Yamada RS).

 

4 - CA - Dentro do mesmo tópico, na sua opinião como criadora, este akita criado no sul é o que mais se aproxima do ideal dos japoneses, ou não há esta preocupação de colaborar com os japoneses no desenvolvimento da raça akita padrão?

R.: Não posso afirmar exatamente qual a preocupação a esse respeito de cada um dos criadores citados por mim acima. No entanto, não resta dúvida que todos vêm trabalhando e produzindo bons exemplares, cada um seguindo determinadas linhas de sangue, com tendências que se diferenciam aqui e ali.

De minha parte, tenho trabalhado no sentido de aproximar minha criação cada vez mais dos exemplares que estão sendo criados hoje no Japão. É, sem dúvida, minha meta.

Penso que esse akita criado no Sul é o que mais se aproxima do ideal proposto pelos japoneses. Os dados acima mostram que entre os 33 akitas importados nos últimos 11 anos, 18 vieram do Japão, estando os mesmos entre RS, PR e SP, já que, infelizmente, a fêmea que estava na Bahia morreu. Entre os demais akitas, embora originários de outros países, a maioria são filhos (ou netos) de cães importados do Japão.

Vale ressaltar que entre os exemplares oriundos do Japão 4 machos são filhos de um mesmo cão, chamado Hokuto Go Kisarazu Shirai Kensha, de criação de Koji Shirai / Tokyo (sendo que uma das fêmeas importadas é sobrinha desse cão). Com esse dado, pode-se dizer que há uma certa tendência entre os exemplares adultos e jovens no Brasil de hoje, serem descendentes da linha de sangue de Shirai / Hokuto.

 

5 - CA - O Canil Yamada e os cães por ele criados tem tido um destaque impressionante nas exposições que frequenta, basta olhar os rankings ou ir ver seus cães dando show para constatar isso, a que você atribui este desempenho?

R.: Trabalho e amor.

Embora a raça akita não demande tanto trabalho quanto outras raças, manter um canil adequado sempre exige bastante trabalho, em que funcionários e proprietários têm que levar muito a sério o que fazem.

Não sei se digo que tive sorte com meus funcionários ou, se deixo a modéstia de lado, e falo que além da eficiência deles, acredito firmemente que a mão do dono é fundamental para atingir esse objetivo. Trabalhei durante 9 anos com um dos melhores handlers brasileiros que, infelizmente, faleceu na ida para uma exposição Especializada em SP (Walter Schreiber). Sua enteada (Cristiane Zanin), que já trabalhava com ele e com nossos akitinhas filhotes, assumiu seu lugar, e seu desempenho tem sido também excelente. A pessoa que cuida de tudo no canil (Volmir Scheppke), desde o preparo dos cães, o cuidado com a alimentação, a limpeza do canil, a assistência aos partos e o cuidado com os filhotes, trabalha junto conosco também há 9 anos, sendo uma pessoa com qualidades muito especiais para o trato com os akitas. Auxiliando nesse trabalho temos também Gabriela Vaqueiro, que convive com os akitas desde que nasceu em nossa casa. Além disso, peça fundamental é nossa assistência veterinária (Dra. Mariana Neuls), com quem temos um trabalho compartilhado de pesquisa, observação e muito cuidado. Finalmente, o fato de nossa casa ser na mesma área onde se encontra o canil, também é um fator importante nesse conjunto, na medida em que nos permite supervisionar todo o trabalho diariamente, além de proporcionar um convívio extremamente próximo com todos os cães, além da convivência deliciosa e de uma observação direta dos filhotes.

 

6 - CA - Kenia aproveitando toda sua experiência nacional e internacional com a raça, inclusive diversas viagens para eventos mundiais, diga-nos como um novo criador deve iniciar a sua criação, escolher os seus cães, seja ela um casal de akitas ou um canil? O motivo da pergunta é que o nosso publico vai desde donos de um akita, quem nem decidiu ainda comprar o primeiro e pequenos criadores e afixionados.

R.: Bem, pressupondo que já fez sua escolha a partir de muito estudo sobre as características da raça... e decidiu que é essa mesmo a raça escolhida...

Um canil pode iniciar partindo de uma boa fêmea, principalmente quando o espaço só permita poucos cães. Mas o início pode ser também com um casal ou, se o espaço permitir, 3 ou 4 fêmeas e um macho.   A forma e o número de cães não é o mais importante. Também não sou adepta da idéia que uma boa criação se faz somente a partir de uma boa fêmea. Sem a semente nada se constrói... Então, macho e fêmea são igualmente importantes, sendo fundamental saber que a vida reprodutiva de uma fêmea é muito mais curta que a do macho.

O que é o fator mais importante num plano de criação é a escolha do (s) exemplar (es) com os quais o futuro criador vai iniciar seu trabalho. E para efetuar essa escolha  aí está a internet, os sites do mundo todo, os canis para serem visitados, observando atentamente os cães que estão reproduzindo, as condições de higiene do canil, os critérios éticos que definem a conduta do canil, os papos com vários criadores, etc... Nessa busca é preciso que além da paixão que nos move, da ternura que os filhotes nos fazem sentir, da admiração que alguns criadores nos despertam... que sejamos objetivos e atentos ao estabelecer as metas do trabalho que vai ser desenvolvido e, a partir delas, dos investimentos a serem feitos. Essas metas incluem o tipo que nos agrada, a linha de sangue que mais nos impressiona e que nos dá melhores perspectivas de saúde, além dos objetivos a que nos propomos. A escolha do (s) próximo (s) exemplar (es) também deve obedecer a um plano de criação, além de atender aos nossos objetivos naquele novo momento. Buscamos fixar um tipo ou vamos em busca de cão ou cadela que corrija possíveis problemas daqueles akitas que já temos em casa?

 

7 - CA - Como você descreveria hoje depois de anos criando, expondo, o akita ideal, o 'must' o 'top da raça' em temperamento, estrutura, pelagem, cabeça, orelhas, peito, etc...

R.: Vou pedir licença e copiar de outro lugar a resposta a esta pergunta. Trata-se da resposta que dei em uma entrevista que me foi feita no Orkut, na comunidade PAIXÃO PELO AKITA, de Viviane Jugurtha, há poucos meses atrás. Por enquanto, continuo pensando o mesmo... Aí vai:

Na verdade, eu continuo atrás do meu akita ideal, mesmo tendo a certeza que assim como não existem pessoas perfeitas, também não existem cães perfeitos. Aliás, é interessante que exigimos muito mais deles do que de nós mesmos, os humanos. A maioria das vezes estamos muito pouco preocupados se temos pernas mais longas que os braços, mais quadris ou menos ombros, nariz mais comprido e olhos menores... E na verdade, tentamos sempre encontrar recursos que amenizam aquilo que gostamos menos em nós, seja nas roupas, na maquiagem, etc... Já com os cães as exigências são infinitamente maiores...

Em 1* lugar adoro o que estiver mais próximo do padrão e dos akitas que em geral se criam no Japão hoje. Mas pensando em termos mais subjetivos, eu diria...

A cara tem que ser linda e o pêlo farto, espetado. Orelhas de tamanho médio e bem posicionadas (detesto orelhas baixas ou altas). Olhar profundo, olhos triangulares e bem posicionados (nem juntos, nem separados demais, nem enormes, nem apertadinhos, muito menos redondos). Focinho curto é fundamental. Juba e bochecha também são, sem dúvida. O pescoço forte (nada de longo...) tem que completar aquele ar de majestade e dignidade que o akita tem. A cauda farta não pode faltar, bem postada. A cor é fundamental. No akita de pelagem vermelha (que é minha cor preferida) gosto daquele vermelho que não está nem próximo do creme, nem do marrom, sem a passagem brusca do vermelho para o branco. Nos tigrados gosto de um pouco de branco na cara e da simetria das botas brancas. Prefiro os que têm menos vermelho em seu tigrado.

A altura média é minha predileta. Aos machos baixinhos me parece faltar dignidade, os altos sempre me parecem pouco harmônicos. As fêmeas podem ser baixinhas desde que sobre nelas feminilidade e beleza. Baixinha feia e sem graça não dá para agüentar. Fêmeas altas e poderosas, com bom desempenho em pista, me impressionam, mas fico sempre com as médias, que com o passar dos anos vão se tornando poderosas, embora mantendo a feminilidade. O temperamento é fundamental. Se tem algo que me desagrada demais é akita medroso ou agressivo. Dos agressivos quero me afastar logo e aos assustados me incomoda muito olhar a atitude medrosa deles. Tanto uma como outra característica tiram majestade e dignidade do akita e, sem dúvida, vejo neles um desvio de temperamento.

Nem muito, nem pouco osso. Me interessa mais pêlo do que pêso.

Se junto com tudo isso tivermos ombros justos e membros paralelos, que permitem uma movimentação bonita e forte, típica da raça, uma frente ampla, um dorso reto, paralelo ao solo, como tem que ser (nem selado, nem carpeado, muito menos ascendente), além de termos a sensação de um cão quadrado e compacto... aí teríamos o cão que seria o meu ideal.

Em cada acasalamento pensado, em cada filhote que examino, que olho e olho de novo mil vezes, estou buscando o que mais se aproxime a esse ideal, sabendo, no entanto, que tudo num só é sonho impossível que, no entanto, é um sonho que eu não canso de sonhar.

 

8 - CA - Em sua opinião o que falta aos criadores nacionais para deixar o plantel nacional mais rico e homogeneo?

R.: Aproveitar mais a riqueza da raça que temos no Brasil, usando os melhores exemplares que estiverem disponíveis, com o objetivo preciso de melhorar a sua criação. Algumas vezes me chegam lamentos que os criadores não se dispõem a ceder seu padreadores para criadores novos ou para proprietários novatos. Por vezes, algum criador pode ter negado cobertura pelos mais diferentes motivos, mas isso não representa a regra. Bem, e se isso aconteceu, também seria um pleno direito de quem negou, o que não pode ser estendido para todos os proprietários e para todos os padreadores. Outras vezes, o criador ou proprietário que procura a cobertura, pretende que a mesma aconteça sem ônus para ele ou oferecendo um filhote como pagamento de cobertura. O ônus é inevitável, já que o proprietário do exemplar que está sendo solicitado também teve e tem um custo, por vezes bastante alto, para manter o padreador. Não seria justo que parte dessa despesa retornasse a ele e ao seu canil? Por outro lado, não aceitar filhotes como pagamento de cobertura, pode ter várias justificativas e, entre elas, uma das mais frequentes é a existência de um programa de criação, que nem sempre inclui filhos de fêmeas de outra linha de sangue que não aquela que foi antecipadamente definida. Já escutei algumas vezes ressentimentos nesse sentido, que incluem a sensação que o dono do macho estaria desprezando a fêmea que seria coberta, pensamento totalmente fóra de propósito, segundo penso.

Se a solicitação de cobertura não é o canal, teríamos a alternativa da compra de um macho / fêmea, sejam importados ou não, mas nesse caso, é fundamental que o pretendente a um exemplar faça uma escolha adequada, avaliando, como falei acima, canil, tipo, genética, saúde, ética...

 

9 - CA - Como anda o nível dos juízes no Brasil e como anda a qualidade da organização das exposições nacionais e internacionais aqui no Brasil? Em comparação com o exterior.

R.: Inicio pela organização das exposições. Nos últimos anos somente tenho ido a exposições no Brasil e em alguns países da América Latina. E quando participo destas últimas, são eventos grandes, comemorativos de aniversários de kenneis ou com motivos muito especiais. Eu diria que exposições como essas também ocorrem no Brasil, poucas, mas acontecem. Não podemos é comparar nossas pequenas exposições regionais, muitas organizadas (mal organizadas) em locais abomináveis, sem as mínimas condições de abrigar uma atividade de fim de semana que deveria ser um acontecimento agradável (e que muitas vezes não é de jeito nenhum) com esses grandes eventos que frequentamos em outros países. Em minha opinião, nossa cinofilia ganharia muito mais se, ao invés desse mar de "1/2 eventos semanais", tivéssemos grandes exposições com menor freqüência, sem a repetição absurda de juízes como a que ocorre atualmente, em locais adequados e cômodos tanto para expositores, como para handlers e para nossos cães, afinal os artistas maiores da festa!

Mas... a política cinófila, quero dizer uma pobre política cinófila, tem se enroscado em objetivos que estão muito distantes daqueles que a maioria dos expositores desejariam. E aqui se juntam as questões que têm também que ver com o nível dos juízes no Brasil. Penso que hoje alguns juízes conhecem muito mais da raça akita em relação à nossa realidade de 11 anos atrás. E isso acontece graças a nós, expositores, que temos levado akitas, e cada vez melhores akitas, às pistas. Graças também à curiosidade de alguns juízes que vão em busca de mais conhecimentos junto aos mais experientes criadores. Então, embora alguns juízes não tenham a menor idéia a respeito da nossa raça e na verdade não se interessem por ela, muitos dos nossos árbitros brasileiros já aprenderam bastante. O problema não estaria aí... porque no meio de tantas raças diferentes, é impossível imaginar que nossos all rounders conhecessem e se interessassem por todas as raças que julgam. O problema está outra vez na política, numa má política... aonde o que mais importa é o jogo de influências e de poder, troca de favores e de interesses que beneficiam alguns proprietários e handlers, deixando de lado o verdadeiro conhecimento a respeito dos cães e do padrão da raça, atravessado por condutas anti-éticas que em nada contribuem nem para o desenvolvimento das raças e nem para trazer novos participantes às exposições. 

 

10 - CA - O que você apontaria como prós e contras da criação da raça akita?

R.: A respeito dos prós está o fato destes 11 anos de criação Yamada, que pretendo que se estendam por outros tantos anos. É uma raça apaixonante, relativamente fácil de manter, as cadelas em geral são boas mães, os bebês certamente são os filhotes entre os mais lindos de todas as raças, etc...

Quanto aos contras, existem alguns. É uma raça que fez muitas alterações em seu tipo, pelo menos nos últimos anos, completando com a separação entre o akita e o akita americano, que antes estavam juntos na mesma raça. A tendência é que a situação se estabilize cada vez mais, mas nestes 11 anos de nossa atividade cinófila, foi necessário darmos algumas guinadas para nos aproximarmos àquilo que os japoneses propunham.

Outra dificuldade é consequência da distância entre o Brasil e o Japão, além da dificuldade da língua e das características mais reservadas dos japoneses... o que às vezes pode dificultar um conhecimento mais amplo da linha de sangue dos exemplares importados. De modo geral, esses akitas vindos de lá nos últimos anos têm apresentado uma saúde excelente, mas algumas características da linha de sangue a gente acaba descobrindo sómente na sequência de ninhadas que vamos tirando. Esta questão fica amenizada quando usamos padreadores e matrizes que já estão produzindo filhos a mais tempo aqui, seja de cães importados, seja de cães de criação nacional. Nesse sentido é que se fala tanto na importância de uma profunda pesquisa da linha de sangue antes de se pensar num acasalamento.

Para finalizar esta resposta, eu diria que a frequência com que nascem Pêlo Longos em nossas ninhadas nos traz uma certa preocupação, principalmente com a interrogação de qual seria o melhor destino para esses peludinhos... Vender? Doar? Registrar ou não? Eles estão fóra do padrão da raça, apresentam uma falha desqualificante, não podem ser apresentados em exposições, nem devem ser trimados como tentativa de mascarar sua falha, mas são akitas em tudo o mais. Além disso, produzem filhos com pelagem normal e também peludos; seus irmãos de ninhadas não peludos, carregam o gen do pêlo longo, podendo também gerar cães com a mesma característica... enfim, um tema para ser pensado enquanto não é criada uma nova raça, se é que vai ser um dia criada. Dizem que é interessante ter peludos numa criação, já que, embora nasçam cães com pêlo longo, os demais filhotes, irmãos de ninhada, apresentam uma pelagem farta. Atenção! Pelagem farta não deve ser confundida com Pêlo Longo, e para aqueles que conhecem um peludo, é evidente que são dois tipos de pelagens completamente diferentes. Não vou me estender nesse tema, já que brevemente será publicado uma matéria que apresentei no II Seminário Brasileiro sobre a Raça Akita, em julho de 2006, em São Paulo. E entrar nisso aqui seria me estender por demais nesta entrevista.

 

11 - CA - Kenia estamos lisonjeados e muito gratos por nos passar um pouco dos seus conhecimentos com sua entrevista, nos deixe suas considerações finais, fique a vontade:

R.: Depois de tanto falar, só me resta agradecer a oportunidade de contar sobre minha experiência com a raça akita. Gostaria que minhas palavras fossem tomadas como fruto de uma experiência de 11 anos, que está constantemente sendo repensada, assim como frequentemente modificada em determinadas posições que são suplantadas por experiências mais valiosas.

Melhor seria que desta entrevista se fizesse um debate... Obrigada!

Kenia.

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