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  A RAÇA AKITA NO BRASIL*
 


Kenia M. Ballvé Behr
Canil Yamada / Porto Alegre

Tive a oportunidade de ver akitas fora do Brasil em uma Exposição Geral na Itália (1998), na Mundial do México (1999), numa Especializada na Alemanha (1999), a Mundial e uma Especializada de Raças Japonesas na Itália (2000), e uma Especializada em Tókio (2001). Na Mundial do México, embora tenha sido um encontro histórico porque foi lá que aconteceu a divisão da raça akita e do GCJ, não havia muitas inscrições de akitas. Mas tanto em Milão, como em Hamm e Tókio, tive a oportunidade de ver muitos cães da raça akita, mais de 100 em cada exposição. Na Alemanha e na Itália, além de ter tido uma certa idéia do estágio da raça naqueles países, vi muitos importados do Japão.
Então, é a partir dessas experiências e de 8 anos em pistas brasileiras que vou fazer alguns comentários a respeito de como vejo a raça no Brasil.

Quando iniciei nas pistas, minha 1* akita, adquirida no interior do RGS, fechou todos os campeonatos e ainda por cima ficou como a akita n*1 do ranking gaúcho. Era outra raça, totalmente diferente daquela que a gente está discutindo hoje aqui, com características que hoje definem o que costumamos chamar de “akitas do tipo antigo”, com caras finas, pouco pêlo, nada de juba, olhos redondos, pouca máscara na cara, orelhas mais eretas, pelagem nem sempre da cor adequada e muitas vezes focinho comprido, além de uma ossatura muito leve, ou de exemplares que hoje identificamos mais do lado do Grande Cão Japonês. O predomínio era de akitas de pelagem branca, um pouco creme.
De lá para cá esta situação mudou e muito. Estes exemplares já não aparecem em pista há talvez 2 ou 3 anos. Pelo menos no RGS, Sta. Catarina e Paraná, onde freqüentei maior número de exposições desde aquela época. Encontro muitos deles ainda nas ruas e nas praças, ou nos fundos de quintais.
Mas, em minha percepção, embora essa mudança constitua uma evolução bem importante da raça, ainda não me permite afirmar que o nível da raça no Brasil está muito bom. Tenho visto akitas maravilhosos em pista e fora delas também, mas nosso plantel de base ainda não é suficiente para garantir uma homogeneidade. Além de termos uma variedade grande demais de tipos, não se pode dizer que vemos uma tipicidade repetida em um grande número de cães.
Entre as características que apontei como presentes há 8 anos atrás, algumas evoluíram bem, outras estão no meio do caminho.
Aí estão ainda as caras finas e os focinhos compridos. Menos que antes, mas estão. São poucas as caras redondas como as que predominam no Japão. A quantidade de pêlo melhorou, mas ainda não conseguimos aquela fartura que se vê no país de origem. Certamente tem relação com o inverno, que é mais intenso no Japão e na Europa, embora o verão deles seja tão quente quanto o nosso. E provavelmente a cara pareça ser mais fina e o focinho comprido porque falta pêlo e, conseqüentemente, juba... Mas nosso país tropical não é o único fator determinante da escassez de pêlo. Certamente existem questões genéticas que interferem nesse particular, além de aspectos específicos de alimentação e outros cuidados. Senão, por que nossos akitas hoje são mais peludos que os de alguns anos atrás?
Não se encontram tanto mais os olhos redondos, mas, em compensação, os olhos de muitos de nossos akitas são “apertadinhos”, pequenos demais para os padrões atuais. A inserção alta das orelhas e a máscara são duas das características que parecem ter tido uma melhor evolução. Embora se encontrem orelhas um pouco baixas, não é isto o que predomina. Com relação à cor da pelagem, há uma prevalência de cores bastante adequadas. Nossos brancos são brancos, com poucas manchas amareladas, temos vermelhos bem típicos, tigrados com boas marcações e, inclusive sézamos bem definidos. É bem verdade que ainda temos cães com tons de vermelho um pouco claro e outros que apresentam uma tonalidade amarelada com fios pretos e que são chamados, inadequadamente, segundo penso, de sézamo. Mas não é isso o que predomina também. A ossatura, em geral, não é tão leve como era há uns anos atrás. E os exemplares mais próximos ao Grande Cão Japonês muito pouco aparecem nas pistas.
Duas outras questões aparecem freqüentemente em nossas discussões: altura e temperamento. Com relação à altura, embora se vejam exemplares mais baixos nas pistas (principalmente machos), não me parece ser algo alarmante, nem é uma característica dominante da criação brasileira. Quanto ao temperamento, embora escute muitas queixas em relação a akitas medrosos, prefiro que outros abordem o assunto, porque pouco contato tenho tido com esse problema. Em minha experiência tenho me enfrentado com um maior número de akitas que apresentam problemas de temperamento, mas oposto a este. São “feras”, que parecem apresentar desvios de comportamento. Em minha opinião, os akitas não são fáceis. São cães de guarda, são territoriais, necessitam muito mais que outras raças de serem respeitados em seu espaço, não convivem nada bem com outros cães de seu mesmo sexo, etc... Mas há que se fazer uma distinção entre estas características típicas da raça, e comportamentos muito agressivos que se vê com certa freqüência. Embora seja importante também se fazer a diferença entre as “feras” conseqüência de desvio de comportamento de origem genética e as “feras” que são “fabricados” por seus proprietários.
Em minha opinião, embora tenha evoluído muitíssimo nestes últimos anos, nosso plantel ainda está aquém do ideal
No entanto, eu gostaria de ressaltar que num aspecto muitos de nossos akitas apresentam uma qualidade superior aos cães que vivem no Japão, pelo menos aqueles que vi na especializada de Tókio, em 2001. Eles são melhor estruturados, principalmente no que diz respeito aos posteriores e, conseqüentemente, à movimentação. Muito melhores! Mas, por incrível que pareça, esse aspecto torna-se uma faca de 2 gumes. Ocorre que, seja por desconhecimento das características da raça, seja porque muitos juízes colocam esse quesito acima de tudo em todas as raças, em muitos julgamentos a prioridade total é dada para a traseira e movimentação, em detrimento de todo o conjunto e tipicidade do exemplar. Espero que todos tenham compreendido bem o que estou dizendo. Adoro belas traseiras e adoro um akita que se movimenta bem (e atenção... com movimentação de akita, não de braco ou de husky...), mas me refiro ao fato que tenho visto inúmeras vezes bonitos akitas em pista, com uma traseira fraca (sem, no entanto, defeitos graves), sendo batidos por exemplares que devem, e muito, em tipicidade, mas que se movimentam muito bem.

Precisamos pensar como fazer para melhor divulgar as características da raça.
Concluímos...

1. Já mostramos a raça Akita para a cinofilia brasileira.
Apresento pra vocês um resumo de um levantamento estatístico que fiz no final do ano passado:
No ano de 2002 os akitas figuraram 31 vezes em Finais de Exposições Gerais, conquistando 7 x BIS, 5 x Reserva BIS, 6 x 3*BIS, 8 x 4*BIS e 5 x 5*BIS.
Foram 10 akitas premiados em Finais de Exposições, três fêmeas e 6 machos. Três importados do Japão e 7 de Criação Nacional, sendo que destes 7, 4 são filhos de pai e mãe importados (da Itália e do Japão), de propriedade de canis brasileiros. Entre os criadores e proprietários destes cães estão incluídos 8 canis brasileiros da raça Akita.
Estes resultados aconteceram em Santa Catarina (14 x), RGS (9 x), Paraná (4 x), São Paulo (3 x) e Rio de Janeiro (1 x).
Estes 9 cães da raça Akita foram julgados por juízes de 5 estados brasileiros e de 5 países diferentes:
De São Paulo:
Antônio Dalle Piagge, Sílvio Collegã, Mauro Atalla, Maria Del Rocio, Maria da Glória, Anita Soares e Carlos Capone.
De Minas Gerais:
Sebastião da Silva Filho e Anael Araújo dos Santos.
Do Paraná:
Zeno Mendes e José Renato Pinheiro.
Do Rio Grande do Sul:
Herbert Guthman e Vitor Hugo Leal.
Do Rio de Janeiro:
Ikuko Nagasako, Sérgio Castro, Elisa Castro, Paulo Godinho e Fábio D’Império.
Do Mundo:
Do México: Isidro Castro.
Da Argentina: Francisco Cabrera.
Do Chile: Mário Divani
Da Bolívia: Quiroga
Do Canadá: Donna Cole

2. Precisamos trabalhar mais para enriquecer e tornar nosso plantel mais homogêneo.
Penso que temos um material genético muito bom, inclusive suficiente para levar adiante o trabalho de criação. Talvez o que falte é um trabalho mais sistemático e criterioso. E como falei antes, utilizando o linebreeding para a obtenção de um tipo mais definido. Vi diferentes tipos também no Japão, vi akitas de tipo mais antigo no país de origem deles, mas no geral havia uma homogeneidade que, inclusive, me produziu uma sensação intensa de pela primeira vez estar vendo a raça akita como uma raça uniforme. Não sei se me faço clara. Por exemplo, dificilmente se vê um doberman e ficamos em dúvida de que raça se trata. Melhor ou pior, tipo americano ou europeu... é um doberman. Segundo minha percepção ainda não é isso que acontece com nossa raça.
3. E a partir daí poderemos mostrar mais e de uma forma mais clara as características dos akitas, para que eles possam ser melhor conhecidos por todo Brasil.

* Participação no SEMINÁRIO BRASILEIRO DA RAÇA AKITA, realizado em Maio /2003, em São Paulo.
Mesa Redonda Comentário Geral sobre a raça Akita no Brasil.


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