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Wayakusuru Go No Shatsuko (Suru)

 

 

Ele partiu dia 24 de outubro de 2006. Alguns poucos amigos sabiam de sua morte. Mas quero que muitos outros saibam... E não só de sua partida, mas de sua vida no Brasil, de seus feitos, de seus shows...

Tudo começou num fevereiro, na Itália, no Canil No Shatsuko, de Richard Hellman. Fui buscar um filhote e voltei para o Brasil com 2 akitas. O filhote e mais um jovem de 12 meses, que ninguém entendeu por que eu decidi trazer.Nem eu mesma sabia, naquela época. Hoje sei que tenho um bom olho para avaliar akita, e que embora ele estivesse com pouco pêlo, descobri qualidades nele, que nem eu sabia quais eram. Um mês depois de nosso retorno, ele chegou e, já apresentando um pêlo farto e muito vermelho, estava lindo, parecendo um urso...

Quase no final do ano foi sua 1* expo, onde perdeu para o filhote italiano, que veio junto com ele (Chanoyu Go). Na 2* vez ele já botou prá quebrar e trouxe 4 certicados de Melhor de Raça disputadas em Livramento. E a partir daí ele não parou mais. Em sua 3* exposição, trouxe para casa 3 Finais de Exposição e, embora tenha iniciado sua participação em shows no final do ano, o anking

da raça no RS foi seu! Assim como nos dois próximos anos (1999 e 2000) foi o vencedor do anking

Nacional de Cães Batidos e do Ranking Best in Show. Além desses títulos, obteve muitos outros, ue cito em outro lugar deste site (Eles fazem nossa história). Mas não deixarei de repetir aqui um feito de Suru que me impressiona demais e que não assisti até hoje outro Akita repetir performance semelhante. Vamos lá... Em 26 meses de campanha Suru foi 118 vezes Melhor da Raça, vencendo 80% das disputas em que participou. Em 50% das vezes que foi Melhor da Raça, fez Final de Exposição, tendo ficado como o melhor ou entre os 5 melhores cães da exposição 61 vezes, numa média de 2 a 3 Finais por mês. Vejamos:

9 Best in Show Especializado (BISS) e 2 Reserva de BISS

8 Best in Shows Gerais (BIS) e 9 Reserva de BIS

33 outros Finais de Exposição (3*, 4* ou 5* Melhor entre todos os cães da exposição)

Entre as inúmeras emoções que vivi com Suru (e seu parceiro inseparável Walter Schreiber), algumas nunca vou esquecer... Pela emoção em si, mas também porque esse desempenho não é típico de um cão da raça akita. Entre esses fatos lembro de Finais de Exposição com juízes estrangeiros experientes, e especialmente, um BIS em Foz do Iguaçu, com um juíz italiano, na época considerado top de linha. Mas mais especial ainda foi aquela noite em Caxias do Sul em que Suru fez 2 BIS e um Reserva BIS na mesma exposição. E na maioria das vezes eram resultados inesperados... E aqueles que têm experiência em shows sabem ao que me refiro.

Suzane Blum (SP), Porto Alegre / BIS

Em geral eu me emocionava ao vê-lo entrar em pista. Entrava como se se sentisse o melhor, como quem estivesse ali para vencer todos. E isso não era só em pista, já que tinha esse mesmo ar em casa, quando desfilava na frente dos canis, deixando os machos enlouquecidos. E as fêmeas... Todas se entregavam ao seu charme. Nenhuma negou-se a acasalar com ele. É verdade e quem viu pode confirmar!

Se a gente mede o valor de um padreador pelo número de filhos, Suru não produziu tantos filhos. Mas teve filhos que também fizeram história nas pistas, principalmente Choumei-Ji de Yamada, a fêmea mais premiada na história da raça akita no Brasil. Foi vencedora do ranking nacional em 2002 (temos seus dados registrados também em nosso site). Já em 2001 foi um filho seu, Choukai Go de Yamada, o melhor akita do Brasil, e em 2003 uma filha sua, Kyomi Go de Yamada, foi a Melhor Fêmea do ranking brasileiro. Finalmente, o vencedor do ranking Dogshow em 2005 e 2006, assim como o Melhor Macho do Ranking CBKC nos dois últimos anos, foi Akyo Go de Yamada, neto de Suru e filho de Choumei-Ji. É um currículo respeitável, não é mesmo?

Suzane Blum (SP), Porto Alegre / BIS

Então, a partir de 2001 Suru saiu de pista, dando espaço para seus filhos. Só muito raramente voltou para shows. Teve uma vida tranquila e saudável em casa durante estes anos todos, até que em agosto de 2006 apareceu um câncer ósseo extremamente maligno. Nada tinha para ser feito, a não ser oferecer-lhe um final de vida digna, sem dores, com todo o cuidado e amor que ele merecia.

Não foi fácil... Nossa dor era muito grande e a despedida foi difícil. Era nossa história que se mesclava com sua vida. Foram muitas as lembranças que nos atravessaram nesses 2 meses. Mas dois momentos me impactaram especialmente. O primeiro, num dia em que ele parecia ausente, quase não andava mais, o garbo de sua vida inteira desaparecera... e eu gritei seu nome da mesma forma que o chamávamos nas exposições... SURÃO!... Subitamente ele levantou a cabeça e me olhou de uma forma como se meu chamado tivesse despertado alguma lembrança... No momento seguinte voltou a deitar a cabeça e se ausentar outra vez. O outro episódio... o último, foi o infinito olhar de tristeza que flagrei em seus olhos, quando comprendi que a única razão para ele estar vivo ainda era minha dificuldade para me separar dele e, assim, permitir que ele descansasse e dormisse em paz.

Suzane Blum (SP), Porto Alegre / BIS
Suzane Blum (SP), Porto Alegre / BIS
Suzane Blum (SP), Porto Alegre / BIS
Suzane Blum (SP), Porto Alegre / BIS
Suzane Blum (SP), Porto Alegre / BIS

 

 

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