Voltar Avançar
 
 
 
 

BIZEN FUJI OF KOJI KIREI

 

 

nossa muito querida FUJI...

A história de um canil começa a se delinear a partir das decisões que vão sendo tomadas por aqueles que são seus titulares, mas a história só vai verdadeiramente sendo compreendida quando a gente olha pra trás e vai percebendo a conseqüência daquilo que foi sendo feito.

Então... foi em junho de 1996 que fui a Buenos Aires buscar uma fêmea vermelhinha, de um canil que trabalhava com os cães que vinham do canil No Shatsuko, da Itália. Chamava-se Baikajhime. Mas na mesma ninhada havia uma "negrinha" muito linda - Bizen Fuji (irmã da vermelhinha), de quem eu não conseguia tirar o olho. A pergunta que escutei do outro lado da linha, quando consultei "as bases" sobre a possibilidade de trazer as duas foi: "Ela tem bastante branco na cara? Ela é linda?" E assim... vieram as duas para o Yamada.

A mania cinófila de comparar fez com que desde o início cada uma tivesse o seu fã clube. Temperamento, pelagem, estrutura completamente diferentes, definiu o caminho de cada uma. Enquanto Shime, dengosa, vermelha e vistosa, brilhou nas pistas das Exposições Gerais, cansando de ganhar troféus e títulos aqui e lá fora, Fuji, pequeninha, sempre disposta, escurinha e alegre, sem dengo nenhum, cansava de perder para a irmã, encontrando eventualmente um super fã que se atirava a seus pés, entre eles aquele juiz inglês que gritava em plena pista de Bento Gonçalves, que ela era espetacular... Num determinado momento, ela começou a brilhar demais, venceu 5 Especializadas, ficou conhecida por todos os akiteiros deste Brasil. Mal alcançando a altura mínima proposta pelo Padrão, ocupou um espaço entre os grandes da raça no Brasil. Entre as ironias da vida, em sua última Exposição foi julgada como a "Melhor da Raça", justamente por alguém que, embora tenha se referido sempre a ela como "aquela anãzinha", rendeu-se nesse momento ao seu fascínio, conduzida que era por Walter Schreiber, aliás, seu grande fã...

Temperamento excelente, cuidou de seus filhos com a mesma energia e alegria que mostrava nas pistas, nas brincadeiras em casa, em tudo que fazia...

E foi de uma hora pra outra que ela se foi. Dia 23 de setembro de 2000, às 7 hs. da manhã, 10 dias depois de apresentar os primeiros sintomas. Diagnóstico? Foram vários, distoantes, inclusive em parte incompatíveis com o laudo da necrópsia! Ficou nosso lamento pela precariedade dos recursos veterinários e, quem sabe, pelo inconhecido dos males desta raça. Ficou, mais do que nada, nossa imensa tristeza, e nossa primeira constatação que a criação de uma raça traz, além da vida, a tristeza da morte e da perda.

Fuji, nossa "Fujoca" em casa, foi parte importante da história do Yamada, da "nova" história dos Akitas no Brasil. Ela se foi, ficaram seus filhos (Choumei, Choukai e Hanzo, Hatsu - em Belo Horizonte, com Arnaldo Garcez -, Chaussu, Kaya, Hyoban, Hokkun e Hayashi) e seus netos. E entre todos somente agora aparece uma "negrinha" miúda, filha de Hanzo e Kaori, que no jeito "arrebitado" de andar e na alegria que mostra, se parece com a avó e, por isso, se chama JIN.

E é nessa repetição/renovação que a tristeza da morte se esfumaça e se ameniza, e a gente acaba encontrando o verdadeiro sentido de criar.


Akita-Poa 2008 © Todos os direitos reservados | Design - B! Comunicações