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OBSERVAÇÕES SOBRE NINHADAS DE AKITA

 


Os comentários que faço aqui sobre ninhadas de Akita são o resultado de minha experiência na criação desta raça, além de algumas informações que fui obtendo no intercâmbio com alguns criadores. Pretendo que esta matéria sirva de gatilho para que outros criadores possam complementar ou contestar minhas observações, remetendo os relatos de suas experiências, para serem publicadas nos próximos números de nosso Boletim. A publicação desses dados tem o objetivo de informar todos aqueles que têm curiosidade a respeito do tema.

PARTO E NÚMERO DE FILHOTES:
Uma fêmea da raça Akita pode gerar um número variável de filhotes, mas em média terá entre 4 e 8 filhotes. Em minha opinião, o ideal é quando a ninhada não ultrapassa 5 ou 6 filhotes, o que proporciona que a cadela possa cuidar melhor deles e que os mesmos possam se desenvolver da melhor maneira possível. Penso que o parto deve ser acompanhado. Quando se fizer necessário, é importante a interferência de uma pessoa que auxilie a tarefa da cadela que, às vezes, não consegue ser eficiente no rompimento do saquinho que envolve o filhotinho ou em esquentá-lo, ou mesmo em colocá-lo na teta. Seja por cansaço ou por inexperiência, a falha da cadela nessas funções pode determinar que o filhote não se reanime ou mesmo causar a morte do mesmo.

COR DOS FILHOTES:
Como se sabe são 4 as cores características do Akita: branco, vermelho, tigrado e sézamo. Com relação ao branco não tenho dúvida sobre sua cor desde o nascimento. Mas no que diz respeito às outras cores, ao olharmos um filhotinho recém nascido, não necessariamente podemos prever a cor que terá o cão adulto. No caso de um Akita adulto vermelho, na maioria das vezes o filhote nasce marrom acinzentado. No entanto, pode acontecer que nasça muito escuro, quase preto e, na medida em que passa o tempo, a pelagem vai ficando "furtacor", surgindo fios vermelhos misturados a fios pretos. Esta mistura de cores vai então evoluindo, até surgir uma dominância vermelha, que vai se definindo gradativamente até os 18/24 meses. Nestes cães, em geral, o vermelho corresponderá a uma tonalidade mais intensa do vermelho. Quando se dá esta evolução na cor da pelagem, mas até os 2 anos o Akita mantém-se vermelho com uma raja escura encima do dorso, teremos então a cor sézamo. (o fio do pêlo do Akita vermelho é composto por 3 cores: preto na raiz, depois branco e a ponta vermelha; no sézamo há uma inversão dessa ordem, sendo vermelho na raiz, branco no meio e preto nas pontas). Em relação ao tigrado, a maioria das vezes é possível definir sua cor logo após o nascimento, mas há filhotes que também são praticamente pretos ao nascer e só com o tempo é que se definem como tigrados. Estes exemplares, quando adultos, geralmente serão tigrados muito escuros.

PESO DOS FILHOTES:
Em minha experiência, o peso de um filhote ao nascer depende muito da ossatura dos pais, devendo ser entre 350 e 400 grs. para filhotes que tenham pais com melhor ossatura. A tendência é que o macho seja levemente mais pesado que a fêmea, embora esta não seja uma regra fixa. Diz-se que a diferença de peso (tanto no nascimento como nos primeiros meses) depende do tamanho da ninhada e também do fato dos filhotes terem sido gerados em dias diferentes. No entanto, esta crença não é aceita por muitos, que argumentam que o processo é muito semelhante ao que ocorre com os humanos: não há regra fixa que defina as razões para que alguns "filhotes" sejam menores e outros maiores. No entanto, em minha experiência, a tendência é que após o 3* ou 4* mês de vida, se definam as diferenças de tamanho entre os filhotes de uma mesma ninhada: alguns dos pequenos na ocasião do nascimento realmente serão menores, enquanto outros vão alcançar o mesmo tamanho dos maiores da ninhada.
É aconselhável, em minha opinião, que os filhotes sejam pesados de 3 em 3 dias nas 2 primeiras semanas, para que aqueles que estejam ganhando menos peso, sejam mais observados e ajudados a ficar nas melhores tetas. Em geral, estes filhotes são os menores ou os menos ativos e, por isso, são freqüentemente empurrados pelos outros para as tetas menos fartas. Nos primeiros dias os filhotes ganham em média 50 grs. por dia.
Média do peso aos 15 dias: entre 1 kg. e 1.400 kgs.
Aos 30 dias: entre 2.500 kgs. e 3 kgs.
Aos 60 dias: entre 6.500 kgs. e 8 kgs.
Aos 90 dias: entre 12 kgs. e 13 kgs.

ALIMENTAÇÃO DOS FILHOTES:
Nos primeiros 20 dias a alimentação deverá ser exclusivamente o leite oferecido pela mãe. A partir dessa data, quando os filhotes já estiverem em pé e já estiverem com os olhos abertos, ofereço ração moída (ou amolecida), misturada com água e ricota. Na época em que se introduz a ração, é frequente que as fezes fiquem amolecidas, podendo inclusive surgir fezes amolecidas (às vezes a ricota pode ser a causa disso, quando deve então ser retirada). Nesta eventualidade costumo dar água de arroz. Se o sintoma persistir ou se transformar em diarréia, o recurso é a busca imediata do veterinário. Do 20* ao 30* dia permito que a mãe entre na caixa e amamente seus filhotes numa média de 3 a 4 vezes ao dia. Depois disso, ela mesma irá se distanciando naturalmente e, quando isso não ocorrer, deve-se forçá-la a isso - os bebês já têm dentinhos que machucam as tetas da mãe. A partir do início da ingestão de alimentos, o único alimento adequado é a ração. Para cães de pêlo a utilização de sal ou açúcar, assim como de farináceos, é contra-indicada.

ÉPOCA EM QUE OS FILHOTES SAEM DE CASA:
É freqüente que os filhotes sejam definitivamente separados do resto da ninhada e tenham uma nova casa muito precocemente, principalmente quando os mesmos são vendidos ou presenteados a alguém. Considero que antes dos 60 dias, a mudança sempre é uma situação de risco, na medida em que os filhotes muitas vezes ainda nem receberam a 2* dose de vacina. E esse risco é muito maior quando esses filhotes são levados para serem vendidos em feiras de animais, locais em que o risco de contaminação é extremamente grande e a imunidade dos filhotes é muito baixa, sendo freqüente a morte desses animais em decorrência disso.

AS DIFERENÇAS ENTRE UM FILHOTE E UM CÃO AKITA ADULTO:
De modo geral os filhotes de Akita entre 45 e 60 dias são animaizinhos muito lindos, que encantam irresistivelmente as pessoas. Estou convencida que nessa idade é muito difícil saber exatamente como será o cão quando adulto, embora com 45 dias seja possível fazer algumas inferências. Um cão da raça Akita sofre inúmeras modificações ao longo de seu desenvolvimento, mas mesmo assim existem alguns aspectos que podem ser avaliados em relação à potencialidade de um filhote, tais como ossatura, proporções, tamanho da cabeça, etc... mas são hipóteses que nem sempre se sustentam ao longo do tempo. Existem também outros parâmetros que podem ser levados em consideração para se apostar na qualidade do cão, tais como o conhecimento de seus pais e avós, a excelência do pedigree, mas aqui também somos enfrentados com a complexidade da genética. Além disso, os cuidados dispensados ao cão têm um peso quase tão grande quanto sua ascendência hereditária.
Desta forma, aquelas pessoas que desejam ter um cão "para exposição", como se escuta dizer, é mais recomendável que adquiram um exemplar com mais idade, embora isso possa modificar o preço de aquisição do mesmo.

CUIDADOS ESPECIAIS:

- Quanto ao risco de contaminação:
O manuseio dos filhotes deve ser feito apenas pela pessoa que se ocupa dos mesmos, devendo ser impedido que outras pessoas entrem na maternidade ou manuseiem os filhotes pelo menos até 60 dias - as impurezas vêm não apenas no contato direto com pessoas, como através de suas roupas ou da sola de seus sapatos. Todo e qualquer contato dos filhotes com outras pessoas, assim como com outros cães do Canil (principalmente com aqueles que estão participando de Exposições), predispõe os filhotes à contaminação.
Da mesma forma, não acho recomendável que os filhotes, mesmo vacinados, saiam a passear na rua antes dos 5, 6 meses de idade - é nas praças que estão as maiores fontes de contaminação, vindas de outros cães que freqüentam o local e que, na maioria das vezes, não tiveram os cuidados de saúde necessários.

- Quanto aos fatores que predispõem a defeitos na postura do cão:
Um dos cuidados especiais que se tem que ter é que o tipo de chão em que os filhotes pisam no dia a dia não pode ser chão escorregadio, tal como taboão, azulejo, etc... o que pode determinar certos defeitos nas articulações, e, em decorrência, na postura do cão. Outro fator também determinante deste tipo de complicação é o excesso de peso dos filhotes: é necessário que exista musculatura e ossos suficientes para sustentar uma massa pesada. Além disso, é fundamental que o cão tenha espaço para efetuar o exercício natural que é necessário a seu desenvolvimento. Outro cuidado diz respeito ao recipiente onde é colocada a alimentação dos cães: o ideal é um bebedor/comedor regulável que esteja numa altura ideal para que o cão possa se alimentar sem forçar as patas dianteiras. Da mesma forma, quando o cão permanece um tempo excessivo apoiado nas patas traseiras (para olhar para fora do canil, por exemplo), essa atitude também pode ser um fator determinante de algumas distorções nos posteriores.
É importante, porém, ressaltar que esses cuidados podem evitar que determinados defeitos se constituam, mas são totalmente ineficientes quando o cão traz congenitamente determinadas mal formações, como no caso de filhotes que apresentam um certo posicionamento dos pés para fora (Charles Chaplin), ou em situações patológicas, tais como a displasia coxo-femural.

- Quanto ao excesso de exercícios:
Até a idade de 8 meses o único exercício recomendável é o exercício espontâneo que enfatizo ser muito importante para o desenvolvimento do filhote. Depois dos 8 meses há determinados exercícios que podem ser muito úteis para corrigir possíveis incorreções do cão, além de aumentar sua massa muscular, desde que não sejam exercícios excessivos.

- Quanto aos banhos:
Não penso que seja recomendável dar banho num filhote antes dos 4 meses de idade. Se o mesmo apresentar um forte e desagradável odor, pode-se usar moderadamente lenços umedecidos (aqueles utilizados por bebês humanos). Bem... e às vezes é absolutamente necessário que o filhote tome banho! Mas o banho precoce como rotina retira a proteção natural que o pêlo do filhote possui. Após os 4 meses, banhos quinzenais no verão ou mensais no inverno são suficientes. Mais do que isso prejudica o pêlo dos cães. A secagem do pêlo em sua raiz também é fator fundamental, sempre com soprador ou secador sem ar quente. A utilização excessiva da escova na secagem do pêlo também tira o aspecto rústico mais característico da pelagem do Akita, que é um cão primitivo, tornando algumas vezes seu pêlo mais ralo e mais fino do que deveria ser.


- Quanto a olhos "lacrimejantes" e coceiras:
Como os olhos dos Akitas são "rasgadinhos", há uma incidência razoável de Entrópio nesta raça. Algumas vezes, no caso de filhotes, se observa que saem lágrimas constantes de seus olhinhos, embora isso não caracterize necessariamente uma doença. Para aliviar essa manifestação que perturba o filhote e para impedir que isso evolua para um problema mais sério, costumo tomar uma providência caseira e simples, tal como pingar soro fisiológico várias vezes ao dia em seus olhos.
Com relação a filhotes que apresentam coceiras enquanto são muito novos, o que pode ser uma manifestação de stress, inicialmente afasto as hipóteses de pulgas ou de uma alimentação inadequada. Nada sendo constatado nesse particular, trato de tentar descobrir e eliminar as causas do stress. Além disso, costumo combater essa coceira, lavando com Piroxide duas vezes ao dia a área avermelhada, e aplicando aí, depois, Água de Alibur, no mínimo 4 vezes ao dia. Mesmo que a zona atingida não esteja mais avermelhada e que a coceira tenha diminuído sensivelmente, o segredo é continuar por mais uns 15 dias com esta estratégia. Com isto, alivio o sofrimento do filhote e, ao mesmo tempo, estou tomando uma medida preventiva para impedir o surgimento de uma infecção secundária, esta sim difícil de ser curada.

- Quanto à idade em que se instaura o medo no Akita:
Em alguns textos publicados por entendidos da raça e no intercâmbio com criadores, tomei conhecimento que o medo se instaura no cão da raça Akita entre os 4 e os 6 meses. Desta forma, qualquer situação que gere stress e que represente uma mudança brusca de hábitos nesse período, tais como viagens ou mudança de casa, pode instaurar o medo no cão, o que deve ser evitado porque é um problema extremamente difícil de ser resolvido.

(Texto publicado no 2* Boletim do NCRA /RS - 2000)
Kenia M. Ballvé Behr
(Canil Yamada - POA)

 

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