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Entre os dias 22 e 25 de junho deste ano aconteceu em Milão o World Dog Show e a 4* Exposição de Raças Japonesas na Europa. Detenho-me na raça Akita, revendo os resultados mais importantes:
World Dog Show (22.06.2000):
153 Akitas, 86 machos e 67 fêmeas.
Campeão do Mundo e Melhor da Raça:
Sekiun Go Suzuki - 5 anos, importado do Japão (Suzuki Takashi), de propriedade de Antonino Saporito (Itália). Inscrito na Classe Aberta, competiu com outros 38 machos. Foi julgado pelo Sr. Hoshi Mitsuteru, vice presidente do JKC, All-Breed Judge desde 1963.
Campeã do Mundo e Reserva da Raça:
Yamidoko Del Sol Levante - 6 anos, criação e propriedade do Allevamento Del Sol Levante (Itália). Inscrita na Classe Aberta, competiu com outras 20 fêmeas. Foi julgada pelo Sr. Hiroshi Kamisato, Diretor Executivo do JKC, All-Breed Judge desde 1984.
Jovem Campeã do Mundo:
Yumenoshima No Eiko Go, 15 meses, criação de Yvonne e Lambert Diercks L. (Holanda), propriedade de Giovanna Rossi (Itália). Inscrita na Classe Jovem, competiu com outras 20 fêmeas. Foi julgada pelo Sr. Kamisato.
Especializada de Raças Japonesas (23.06.2000):
125 Akitas, 70 machos e 55 fêmeas.
Melhor Absoluto da Raça e da Especializada:
Hokuun No Ryusho Go Watanabe, 5 anos e meio, importado do Japão (Watanabe), propriedade de Patrick Suard (França). Inscrito na Classe Campeonato, competiu com outros 11 machos. Foi julgado pelo Sr. Toyosaku Kariyabu, Honorary Chairman do JKC, criador da raça Akita por 10 anos.
Reserva do Melhor Absoluto da Raça Akita:
Yumenoshima No Eiko Go, 15 meses, criação de Yvonne e Lambert Diercks L. (Holanda), propriedade de Giovanna Rossi (Itália). Inscrita na Classe Jovem, competiu com outras 8 fêmeas. Foi julgada pelo Sr. Masao Itoi, Honorary Vice Chairman do JKC, All-Breed Judge desde 1966.
Participação Brasileira:
Choumei-Ji de Yamada, 21 meses, criação e propriedade do Canil Yamada (POA). Inscrita na Classe Campeonato, obteve o 2* lugar de Classe, e foi julgada pelo Sr. Masao Itoi, Honorary Vice Chairman do JKC, All-Breed Judge desde 1966. Já na Mundial, julgada pelo Sr. Hiroshi Kamisato, Diretor Executivo do JKC, All-Breed Judge desde 1984, obteve 4* lugar na Classe Campeonato.
Akita-Inú No Rakuen Aikyoo, 14 meses, criação e propriedade de Vaz E.C.& De Paula L.H. (SP). Inscrita na Classe Jovem da Especializada de Raças Japonesas, obteve o 4* lugar de classe, julgada pelo Sr. Masao Itoi.
Alguns comentários pessoais
É... este ano o Brasil não trouxe o título de Campeão do Mundo ou Jovem Campeão do Mundo da raça Akita para casa, como aconteceu no ano passado. Mas algumas considerações devem ser feitas.
Todos sabemos que a raça Akita sofreu inúmeras alterações ao longo de sua história e que ainda hoje surgem dúvidas em relação à tipicidade da raça. Estamos acostumados a ouvir as mais diferentes opiniões a respeito dos Akitas, e esse fato, sem dúvida, tem relação com as mudanças que foram ocorrendo ao longo do tempo. Não é à toa que até pouco tempo atrás estavam o Akita e o Grande Cão Japonês como pertencentes a uma mesma raça. Não é à toa também que, apesar da separação das 2 raças "no papel", existe ainda "na prática" muita confusão que certamente será desfeita ao longo do tempo.
Por outro lado, sabemos também que a Itália e a França, além do Japão, são os países onde está mais evoluída a raça e onde encontramos os melhores exemplares. De minha parte, que comecei a me envolver com os Akitas há 5 anos atrás, fui descobrindo quais eram os melhores criadores desses países, me familiarizando com o que era concebido como "tipicidade atual" da raça, através de fotos e filmes de Akitas, de Exposições no Japão, de visitas "ao vivo" e via Internet nos melhores canis desses dois países europeus.
Bem... sendo a Mundial na Itália, inevitavelmente estariam lá muitos dos melhores Akitas do mundo, representando os mais conhecidos criadores da raça. De fato, ao vermos o catálogo e, depois, olhando ao nosso redor, logo fomos identificando criadores da Itália tais como Antonino Saporito, Richard Hellman, Salvatore Palermo e Andréa Bordone, entre tantos outros, apresentando cães de sua criação, assim como cães de sua propriedade, importados do Japão (de Suzuki Takashi, Yukiko Shirai, Yamada Kendy, etc...). Os franceses estavam representados principalmente por Patrick Suard e Shigéko Capron, que apresentaram, além de cães de sua criação, outros importados dos canis japoneses de Mikio Sato e Kazuaki Hirose. Além de italianos e franceses, estavam também alguns importantes criadores da Holanda, entre eles Dircks Lambertz, e a criadora norte americana Pat Szymanski.
Num primeiro momento acreditei que entre tantas "feras", as chances de Choumei-Ji de Yamada, de minha criação, não seriam muitas. Mas, passado o primeiro impacto, comprendi que subestimava a gauchinha que participava da Classe Campeonato, com apenas 21 meses. E foi muito bom vê-la classificada pelos juízes japoneses, como 4* lugar da Classe Campeonato na Mundial, e como 2* lugar da Classe Campeonato na Especializada de raças Japonesas, entre fêmeas que, em geral, tinham 4 ou 5 anos. Foi muito bom também ver a fêmea, criação e propriedade da Elaine e do Henrique, de São Paulo, receber a classificação de 4* lugar da Classe Jovem, na Especializada.
Participar de um evento como este, que congrega tantos exemplares da raça (assim como aconteceu na Alemanha, há 2 anos atrás), me permitiu ter uma idéia clara do momento atual da raça no mundo. Voltei da Itália considerando que a distância geográfica entre o Brasil, o Japão e a Europa, não necessariamente representa distância na qualidade de cães da raça Akita que temos no Brasil. Mas penso que devemos continuar investindo porque, de modo geral, ainda temos que melhorar nosso plantel para atingirmos o mesmo nível dos cães presentes na Mundial da Itália 2000.
De outra parte, alguns fatos me chamaram muito a atenção:
Nos 2 últimos anos já assisti 5 julgamentos da raça Akita realizado por juízes japoneses, e em todas as oportunidades o primeiro prêmio foi concedido a cães importados do Japão, condição não necessária ao segundo prêmio. Trata-se de coincidência? Sendo coincidência ou não, o que importa é ressaltar que este fato pode estar dando margem a que algumas pessoas acreditem que a tipicidade de exemplares não nascidos no Japão seja diferente ou que a qualidade dos mesmos seja inferior (mesmo que os filhotes nascidos no Brasil, Itália, França, etc... sejam filhos de cães japoneses, e alguns inclusive campeões japoneses). Uma distorção destas acaba prejudicando a criação nacional, na medida em que se instaura entre muitos criadores a crença que para se ter bons Akitas somente é possível através de continuadas importações... do Japão.
De outra parte, ouvi repetidas vezes que no Japão não seria valorizada a movimentação e a estrutura dos Akitas, e que a ênfase do julgamento recairia basicamente na tipicidade atual da raça, com atenção especial para a avaliação da cabeça. Sempre considerei este fato no mínimo estranho, porque, em meu ponto de vista, um Akita, como qualquer cão, deve ser julgado como um conjunto. Além disso, pelo que me consta, em todo exemplar canino a cabeça é um dos principais aspectos a serem valorizados. E... como deixar de valorizar a estrutura e a movimentação de um Akita-Inu (leia-se Cão Akita)???
O que assisti em Milão coincidiu exatamente com este meu ponto de vista. Sei que essa tendência não é geral, e que alguns juízes japoneses ainda insistem em pensar os Akitas como se fossem apenas cabeça, mas nas 2 exposições que assisti em junho - Mundial e Especializada de Raças Japonesas - os 4 juízes japoneses que julgaram a raça, além de observarem tipicidade, fizeram os cães andarem, o que era atentamente observado e, em muitas vezes inclusive, houve solicitação para que a movimentação fosse repetida. Ao mesmo tempo, vários outros aspectos dos Akitas eram analisados, tais como o comprimento do rabo, a densidade do pêlo, além da estrutura em geral e, particularmente, dos jarretes. Arriscaria afirmar que todos os cães que obtiveram os 4 primeiros lugares em cada classe, além de mostrarem muita tipicidade e belas cabeças, não apresentavam problemas de estrutura e de movimentação.
Por outro lado, o que também muito se escuta em nossos pagos é que os japoneses prefeririam os Akitas mais leves. Esta idéia também não me pareceu evidente no que observei dos julgamentos da raça Akita, na Itália. Todos os cães que obtiveram os primeiros lugares nas classes eram Akitas com uma estrutura não só correta, como bastante forte, inclusive no que diz respeito às fêmeas. Embora a altura das mesmas não tivesse sido um fator determinante (entre os primeiros lugares das diferentes classes estavam algumas fêmeas mais altas e outras mais baixas), de modo algum as mesmas poderiam ser consideradas fêmeas com uma estrutura leve ou com pouco osso.
Em relação à cor, embora as fêmeas tigradas tenham sido muito bem colocadas nas classes - na Especializada duas fêmeas tigradas venceram as classes Campeonato e Aberta -, nas duas exposições os vencedores macho e fêmea foram 4 Akitas da cor vermelha, sendo que os machos, vencedores das 2 exposições, apresentavam uma cor vermelha bastante intensa. Os brancos não obtiveram boas colocações, embora este resultado possa ter sido totalmente casual e ter apenas relação com a qualidade dos exemplares em pista, mas de qualquer modo, é mais um dado a ser registrado.
Kenia M. Ballvé Behr
(Canil Yamada - POA)
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